Sobre o evento

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Campinas, SP, Brazil
O Yoga pela Paz é o evento anual, idealizado por MARCIA DE LUCA e FRAN ABREU, sem fins lucrativos, que leva a prática e o conhecimento associado ao Yoga, à Ayurveda e às culturas de paz a milhares de pessoas. Em Campinas é realizado pela associação cultural ORGANIZACI-ON e coordenado por Paula Ubinha e Tatiana Braga.
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quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Meditação no Consentir


Gosto muito da técnica apresentada neste vídeo! Considero muito inspirador, sobretudo por causa de algumas falas geniais como: "seja gentil consigo mesmo". Se permitir meditar é se permitir um estamo de bem estar incomparável!

A respiração equilibrada é fundamental para induzir a mente ao estado meditativo. Em nossa aula, iniciamos com técnicas respiratórias da tradição do Hatha Yoga, para conhecer as partes do corpo que estão envolvidas, para definir ritmos de inspiração e expiração, para tornar a respiração consciente. Aos poucos, com paciência e perseverança chegamos lá.



Fotos por Denise Maher
http://www.denisemaher.com.br/

Namastê!
Paula Ubinha
Consentir

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Respiração - Pranayama

Cito aqui um pouquinho do que Bri. Maya Tiwari nos ensina sobre Pranayama em seu livro "O Caminho da Prática - a cura feminina pela alimentação, pela respiração e pelo som.". Um livro cheio de relatos e técnicas que nos trazem uma forte luz de esperança por um corpo que tem cura, por mais grave que possa ser o diagnóstico médico. São histórias como a de Maya que precisamos ouvir, acreditar e nos inspirar.

Para os Vedas, o prana é composto de cinco "ares" que tem funções diferentes em nosso corpo-mente. "O corpo é constantemente fortalecido pelo ritmo natural de inspirações e expirações profundas e ritmadas, de forma que as cinco energias prânicas possam, cada uma delas, governar adequadamente uma área diferente do corpo". Vejamos quais são estas cinco partes:
Prana (inspiração) - "alma do corpo assentada no trono do coração", assim era chamada esta energia. O Prana preenche a região entre a laringe e o coração. Para acalmar, entrar profundamente na mente e conhecer nossa verdadeira natureza é necessário que esta energia esteja bem equilibrada. A falta de equilíbrio no Prana coloca em risco nossa vitalidade. O Prana sustenta o coração, a voz, a inteligência e a respiração.
Udana (deglutição) - "o ar que sobe". Sustenta nossa voz, nosso som individual. Uma respiração calma e ritmada nos ajuda a aumentar a duração de nossas vidas e nos ajuda a emitir sons harmoniosos em consonância com a natureza. Assim, cultivamos uma melhor percepção das coisas.
Samana (digestão) - "mantenedor do equilíbrio". Esta energia traz discernimento, rege o metabolismo e os processos digestivos.
Apana (expiração) - "preserva nossa capacidade de reproduzir e nutrir a vida. Apana regula nosso desapego aos objetos materias, e nos ensina a nutrir a nós mesmos sem incorrer em excessos.". Para manter este equilíbrio, apana e prana devem fluir em harmonia e sincronia.
Vyana (circulação) - está no coração de todas as coisas vivas. É a circulação, por isto distribui alimentos e nutrientes dentro do nosso corpo. A simbologia desta energia é o desejo de liberdade pessoal, é também a origem do desejo de realizar a caridade e cultivar a boa vontade.

Encontramos na prática de yoga diversos exercício que nos ensinam a encontrar o nosso ritmo respiratório saudável, o nosso equilíbrio entre a mente, corpo e o mundo em que vivemos. Encontre um instrutor e se entregue para este conhecimento.

Namastê!
Paula Ubinha

terça-feira, 9 de agosto de 2011

unidade corpo e mente


por Paula Ubinha do Consentir


"...O contorno de meu corpo é uma fronteira que as relações de espaço ordinárias não transpõem. Isso ocorre porque suas partes se relacionam umas às outras de uma maneira original: elas não estão desdobradas umas ao lado das outras, mas envolvidas umas nas outras..." (Merleau-Ponty, Maurice – Fenomenologia da percepção).

Tomando como fio condutor estas palavras, vamos tentar aqui uma breve reflexão a respeito do que venha a ser a idéia de um corpo próprio, de como é possível um trabalho que devolva ao indivíduo os seus limites e, assim, de como se constitui a sua identidade. Vamos, de início, reler com mais atenção as palavras de Merleau-Ponty.
Primeiramente, o corpo é a fronteira do sujeito com todas as outras coisas existentes no seu mundo. Embora pareça muito claro, a confusão deste limite é o lugar das patologias psíquicas, nem sempre agudas a ponto de podermos reconhecê-las prontamente. Mas, o que importa aqui é o fato de que o corpo tem um limite próprio, e que a maneira como ele está constituido não nos permite uma fragmentação ou uma justaposição de suas partes.
Quando recorremos a Merleau-Ponty, entendemos que o corpo funciona como um sistema único, pois suas partes estão envolvidas umas nas outras. Quando, por exemplo, tocamos uma mão na outra, entrelaçando os dedos, não podemos responder qual é a mão que está sentindo a outra, ou se a direita sente primeiro que a esquerda ou ao contrário. Elas, neste caso, representam como o corpo percebe e como pensa as suas percepções. Os olhos vêm já vendo com o pensamento. E se é verdade que a visão pode ser agradável ou não, que pode despertar alguma memória ou não, então também é verdade que há uma simultaneidade entre a percepção do objeto e o pensamento sobre ele. É como se a mão direita fosse a percepção e a esquerda o pensamento.
Este exemplo vale também para as relações que o indivíduo estabelece com o mundo. Vamos apenas desdobrar um pouco mais esta idéia. O gosto está na maçã ou na língua? Pois bem, para todas as experiências que o indivíduo vive é esta mesma estrutura que está presente. Não há gosto da maça sem a maçã, sem a língua, sem os receptores cerebrais para esta informação e, finalmente, sem a consciência, que se sabe sabendo o sabor. Só com todos esses elementos é possível propriamente saborear. Sendo assim, a idéia do gosto da maçã é tão importante quanto a lingua e quanto a própria maçã.
Quando entendemos esta estrutura, fica mais fácil vermos que não há uma hierarquia de importância; a importância de cada um está entrelaçada na importância do outro, assim como as mãos que se unem e entrelaçam seus dedos.
Vale citar um poema de Drumond para termos um apoio poético a esta teoria:

Verdade

A porta da verdade estava aberta,
Mas só deixava passar
Meia pessoa de cada vez.

Assim não era possível atingir toda a verdade,
porque a meia pessoa que entrava
só trazia o perfil de meia verdade.
E sua segunda metade
voltava igualmente com meio perfil.
E os meios perfis não coincidiam.

Arrebentaram a porta. Derrubaram a porta.
Chegaram ao lugar luminoso
onde a verdade esplendia seus fogos.
Era dividida em metades
diferentes uma da outra.

Chegou-se a discutir qual a metade mais bela.
Nenhuma das duas era totalmente bela.
E carecia optar. Cada um optou conforme
seu capricho, sua ilusão, sua miopia.
(Carlos Drummont de Andrade, Corpo, segunda edição, Ed. Record, 1984)

para começar bem o dia

por Paula Ubinha do Consentir


Comece abrindo mão da função soneca do despertador. Acorde no primeiro toque e aproveite aquela folguinha de minutos para despertar os sentidos, perceber o dia, lembrar dos sonhos.
Comece lentamente a espreguiçar, esta prática tão natural, mas que é esquecida por muitos.
Não há regras, basta estar ainda na cama, antes mesmo de colocar os pés no chão, o corpo começa a despertar com gestos de contração e descontração, alongamentos e torções.
Se você não consegue se lembrar de como se faz isso, então observe um bebê no berço.
Se não houver um bebê na família, então observe um cachorrinho, um gato, os pássaros.
Espreguiçar é natural.
Experimente, confie no seu instinto.
Agora é o momento da higiene. Para quem pratica yoga, limpar o nariz é tão importante quanto limpar os dentes. Então, vou disponibilizar aqui para você como se faz esta técnica de purificação:

"Como usar o lota para fazer a purificação nasal 
(por Pedro Kupfer)

O lota é um recipiente de cerâmica que se usa para fazer neti, a técnica da purificação das mucosas nasais. Esta técnica limpa as narinas, eliminando o excesso de mucosidade e estimulando o ájña chakra. É ótima contra sinusite, renite e resfriados e ainda aumenta a resistência do organismo às infecções respiratórias. A água utilizada deve ser mineral, morna e salgada na proporção de uma colher de sobremesa de sal para um litro de água. Se a água estiver pouco salgada, poderá sentir uma leve dor na altura dos seios frontais e ardência na mucosa nasal. Caso queira tonificar os vasos sangüíneos desta área, utilize água fria. Isto melhora a circulação e evita hemorragias nasais. 

Fique em pé, com o tronco ligeiramente inclinado para frente e incline a cabeça para o lado direito. Você poderá ainda acrescentar uma gota de limão ou gengibre. Coloque o bico do lota na narina esquerda e incline-o, permitindo que a água entre por essa fossa e saia pela outra. A passagem da água deve ser natural e sem esforço. Isto vai depender da inclinação da cabeça. Mantenha a boca entreaberta e respire por ela. Havendo esvaziado o recipiente, deixe o tronco na mesma posição e o rosto agora voltado para baixo.
Execute kapálabháti (consiste em uma série de expirações súbitas e forçadas, mas sem violência, feitas com rapidez, graças à sucessiva contração dos músculos abdominais e a ação do diafragma) a fim de extrair o restante da água. Em seguida, observando as mesmas instruções, faça fluir a água da fossa nasal esquerda para a direita.
O neti kriyá limpa as narinas, elimina o excesso de mucosidade acumulado nos seios nasais e frontais, estimula o ájña chakra e desenvolve a clarividência."
Tenha um bom dia!
Qualquer dúvida, pode mandar um e-mail pra mim: paulinhaubinha@gmail.com
Namastê!

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Satsanga

por Paula Ubinha do www.consentircorpoealma.blogspot.com

Do sânscrito sat - ser e sanga - companhia, satsanga significa andar na companhia de sábios e amigos, comungando experiências e sabedoria.
Neste encontro do yoga podemos realizar meditação com mantras, contando com instrumentos musicais tradicionais indianos, bem como a leitura, a elaboração de perguntas, buscar respostas e comentários sobre textos da cultura do Yoga, tais como a Bhagavad Gita, o Srimad Bhagavatam e o Yoga Sutras. Os encontros são destinados a todos, membros do grupo praticante ou não, que se interessem em aprofundar seus conhecimentos sobre meditação e filosofia. Este encontro pode ser enriquecido com flores, frutas, tortas, chás, enfim, com vários estímulos para os nossos sentidos, no entanto, isso não constitui o principal da prática.
Satsanga é ficar em companhia de pessoas que possuem o conhecimento claro de sua própria natureza, ou daquelas que buscam esse mesmo conhecimento. O melhor Satsanga não é um encontro semanal, ou mensal, ou qualquer outra periodicidade que se estabeleça, mas todos os momentos diários da vida, é no cotidiano que encontramos o verdadeiro Satsanga, conviver todos os dias com as pessoas que querem descobrir em si mesmas os valores que conduzem ao conhecimento (chamados jñána, conhecimento, no capítulo XIII da Bhagavad Gítá), escutar, refletir e meditar sobre o Átman, o Ser Imutável. Um deve ser para o outro constante inspiração, estímulo e auxílio para o conhecimento, na forma de meios paraantahkaranasuddhih, a preparação da mente, e jñánanistha, a clareza do conhecimento e sua constante vivência. Além de conviver constantemente com outros que também desejam o absoluto, o maior Satsanga é o contato direto com pessoas que vivem a realização do Átmabrahman, pessoas cujas vidas são o próprio exemplo da plenitude do conhecimento.
Nosso grande mestre, Sri Ádi Shankarachárya, diz no conhecido texto Bhaja Govindam:

Satsangatve Nissangatvam
Nissangatve Nirmohatvam
Nirmohatve Niscalatatvam
Niscalatatve Jívanmuktah

Na companhia daqueles que buscam a Verdade, nasce o desapego.
Com o desapego, a ilusão se vai.
Quando a ilusão se vai, a Realidade Imutável torna-se clara.
Com o conhecimento da Realidade Imutável, o indivíduo torna-se liberado ainda em vida.
Sanga, então, podemos dizer que é a associação, a companhia, o contato e, até mesmo, o apego. Satsanga, portanto, é a associação com pessoas que desejam o Sat, o Real, o Ilimitado, que conduz a nissanga, a ausência da necessidade de estar sempre em companhia de pessoas, ou apegado a objetos. A ausência dessa necessidade nasce da análise, do questionamento, que é viveka, que tem como conseqüência vairagya, o desapego natural e gradual. Isto é, a ausência da ilusão e a presença da mente clara para analisar a si mesmo e apreciar o seu verdadeiro Ser, a Consciência Sem Limites. Essa compreensão resolve a pergunta original do ser humano: quem sou eu? Para onde caminho? Respondendo a essas questões, vivendo plenamente, você estará liberado do sofrimento de ignorar ser o que você já é.
Boa reflexão,
Namastê!

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

mais sobre yoga

por Paula Ubinha do www.consentircorpoealma.blogspot.com

Praticar yoga não se limita a uma prática corporal. Yoga é antes de tudo um estilo de vida, que envolve toda a existência de quem a pratica. A maneira como olhamos o mundo, como nos relacionamos com as pessoas, como acordamos, como dormimos, como nos alimentamos, como nos higienizamos, como buscamos entendimento, como buscamos a felicidade; tudo isto se dá pelo corpo, pelos sentidos, é assim que aprendemos sobre o mundo. Quando submetemos nosso corpo à prática de yoga, nos aprofundamos em nossas experiências, aguçamos os sentidos com intuito de nos conhecer mais e melhor. Se isto não ocorrer, certamente há algo de muito errado no modo de conduzir esta prática. Certamente estamos muito mais envolvidos com uma mera ginástica para os músculos e esqueleto. Certamente não há reflexão sobre o sentido de tudo isto.

A ginástica vai moldar nosso corpo e deixá-lo belo, mas isto é fugaz. Nossos corpos vão embora cedo ou tarde. Portanto, o corpo não pode ser o foco central para uma boa prática de yoga. Ele é a maneira pela qual a vida se manifesta e se envolve com este mundo.
Você pode ter a impressão de que estou dizendo que o corpo é secundário, preste atenção, pois não se trata disto. O corpo saudável e bem disposto nos disponiiliza para o aprendizado, para a reflexão e para a meditação.A nossa vida é tocada pelo mundo através do nosso corpo e nosso corpo é tocado pelo mundo interferindo na nossa vida, este movimento constante e simultâneo nos transforma a cada instante. Assim, o que afirmo é o envolvimento e o comprometimento em que corpo, vida, mundo e pensamento estão implicados.Na minha concepção, o corpo é tão sagrado quanto a alma, a vida e o mundo. Não considero nenhum grau de importância. E por fim, considero a necessidade de cuidar bem de cada parte que nos constitui.

Paula Ubinha por ela mesma:
Formada em Educação Física pela UNICAMP(Bacharel em Treinamento Esportivo e Licenciatura Plena), hoje participo do Grupo de Pesquisa em Imagem Corporal (FEF-Unicamp). Pratico Yoga há mais de seis anos e ministro aulas nesta área. Moro no ocidente e prezo a cultura brasileira, por isso procuro direcionar as atividades de yoga de modo a respeitá-la. Não considero necessário atribuir um significado religioso ou místico às minhas aulas e sim, dar atenção às técnicas de respiração, aos cuidados com o corpo e à meditação.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Om

por Paula Ubinha para consentircorpoealma.blogspot.com


O que é Om?

A resposta nunca é simples, apesar de se tratar de apenas uma sílaba. Mas dá para começar assim:

"O que aconteceu antes, o que existe agora e o que existirá mais tarde - tudo isso é Om".

Om é a ordem que permeia todas as coisas...

Ex.: Hoje vemos a forma de uma flor, amanhã nós descobriremos que a flor se foi e há um fruto, isto é ordem. Ordem significa a maneira como as coisas são como são. Tudo o que existe é mantido pela ordem chamada niyati. Este niyati é Ishvara, o Senhor.

Namastê!